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Terça, 16 de Janeiro de 2018

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FGTS da Vale e Petrobrás encolhe R$ 1,6 bi

O patrimônio dos trabalhadores que têm parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Petrobrás e da Vale encolheu R$ 1,6 bilhão este ano. Segundo especialistas, a ingerência do governo na administração das duas empresas nos últimos meses afugentou investidores e seria o principal motivo para a desvalorização dos papéis.

De janeiro até o último dia 20, o patrimônio líquido dos fundos FGTS aplicado em ações da Petrobrás diminuiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,9 bilhões, uma queda de 10,5%. O da Vale encolheu de quase R$ 6 bilhões para R$ 5 bilhões, redução de 10,8%. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

"Não foi a única razão, mas a interferência política é o principal fator para a queda desses papéis", afirma Pedro Galdi, analista chefe da corretora SLW. "No caso da Vale, a troca forçada do presidente da empresa gerou medo de mais ingerência do governo. Em relação à Petrobrás, essa ingerência é escancarada."

O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, lembra que o mercado passou por uma fase de correção de preços. "Nesses momentos os mercados geralmente se assustam. E os episódios da Vale e da Petrobrás não foram bons. É só ver os relatórios dos analistas, que mostraram receio desse tipo de intervenção", disse Fraga.

O investidor fugiu das ações da Petrobrás, em grande parte, por que o governo impediu a estatal de repassar a alta do petróleo no mercado internacional para o preço dos combustíveis aqui dentro. No caso da Vale, o processo foi mais perturbador. O governo agiu diretamente para demitir o presidente Roger Agnelli.

Embora a mineradora seja uma empresa privada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, agiu diretamente no episódio. Agnelli perdeu o cargo porque não aceitou alguns desejos do governo, como comprar navios de carga no Brasil e aumentar os investimentos em siderurgia.

Ótimo negócio. "Essas perdas do Fundo de Garantia aplicado em Petrobrás e Vale não deveriam existir. Foram geradas por interferência política, não tem razões de mercado", afirma Mário Avelino, presidente do Instituto FGTS Fácil, uma ONG criada para acompanhar o desempenho do FGTS.

Apesar das perdas, quem aplicou o FGTS em Petrobrás e Vale e até hoje não resgatou, fez um ótimo negócio. De acordo com cálculos do Instituto FGTS Fácil, de agosto de 2000, quando foram vendidas, até o último dia 19, as ações da Petrobrás renderam 519%. No mesmo período, o rendimento do FGTS tradicional, que paga a Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano, foi de 70%.

Os papéis da Vale, negociados em fevereiro de 2002, subiram 970% até o último dia 19. No período, o FGTS rendeu 56%.

Fonte: Estadao.com.br


Baldoino Advogados